E assim, antes mesmo de começar a escrever aquilo que tinha em mente, divaguei um pouco e defini o verbo "esperar" no contexto aqui explicado. Estes e outros devaneios ocorrem-me com alguma frequência e ao longo do tempo fui aprendendo a não verbaliza-los. E porque? Bom, pelo simples facto de que a maior parte das pessoas não percebem nada daquilo que digo e como tal poupo-me a tentativas de comunicação infrutíferas. Alem de que na maior parte das vezes sao divagações inúteis. Mas ao não comunicar verbalmente nessas ocasiões significa que nesses momentos estou em silencio.
Também existem outras vezes em que não me apetece fingir de pessoa sociável ao falar sobre o tempo ou as ultimas noticias e como tal prefiro o silencio a falar de coisas inúteis.
O silencio, de facto, ocupa grande parte do meu tempo mas isso não invalida que numa noite de copos com os amigos não fale pelos cotovelos de coisas inúteis. E' um misto, digamos.
Indo ao cerne da questão vou começar por falar de cães para chegar onde quero.
Quando temos um cão em casa damos amor e carinho, brincamos, lançamos a bola, levamo-lo a passear de carro, etc. Tudo isto faz parte do mesmo: afecto! Um cão, no entanto, primeiro precisa de exercício, depois de disciplina e no fim de afecto, por esta ordem! Contudo a maior parte das pessoas começa logo no fim com afecto! (Não vou agora aqui explicar o porque, apenas devo agradecer ao grande Cesar por me ter iluminado!)
E muitas vezes nem sequer e' a ordem que esta' errada pois muitos donos apenas e somente dão afecto, negligenciando o exercício e a disciplina. E porque será que isto acontece?
Há quem nos chame de seres sociais com necessidade de afecto. Pois eu mudo essa definição para "Miguelísmo". Isto porque quando damos uma festinha num cão não o fazemos directamente com o propósito de O fazer feliz mas sim com o propósito de NOS fazer felizes. Se a felicidade de um cão faz-nos felizes então o objectivo e' manter o cão feliz de forma a fazer-nos felizes também. Ora se um cão a ser espancado faz-nos felizes e preenche os nossos sentimentos então espancaremos todos os cães que forem precisos para alimentar essa nossa sede de equilíbrio mental.
Não quero avançar muito na psicologia do comportamento canino (existe muito que se lhe diga) ate' porque isto apenas serviu como ponte ao que quero explicar.
As relações entre Humanos e Cães podem ser transpostas para as relações apenas entre Humanos, sem tirar nem por.
Quando telefono aos amigos para irmos ao café, e' porque me apetece ir ao café conviver, não porque estou em casa aconchegado e feliz a pensar que os meus amigos talvez tenham necessidade de ir ao café socializar. O mesmo se passa com eles quando recebem o telefonema.
Quando tenho uma namorada e' porque gosto de estar na companhia dela, ao ir ao cinema, ao restaurante ou 'a praia, não porque ache que ela precisa da minha companhia e então decido fazer caridade.
Em relação 'a família e alguns amigos especiais o sentimento mantém-se. Mesmo quando damos a nossa vida por eles, fazemo-lo por nos. Não e' por um ente-querido falecer que choramos, porque ele como morto já não existe nem vai sentir a nossa falta. Choramos sim por a morte significar a ausência definitiva dessa pessoa na nossa vida, um vazio que jamais poderá ser preenchido e que só o tempo acalma.
Esta definição do Ser Humano como Miguelísmo aplica-se em tudo o que nos diz respeito. Seja aos mais egoístas, altruístas, sociais ou anti-sociais. A verdade e' que todos nos em diferentes momentos da nossa vida fomos um pouco dessas 4 definições!
O Miguelísmo abrange tudo isso e e' ai em que me insiro, tal como vocês todos!
Um Bem Haja!
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