sexta-feira, 2 de março de 2012

E assim foi. E assim fui.

Cansado!

Depois de um dia completamente estafante, uma dor de cabeça toma-me
de assalto.
Mesmo assim, janto e saio porta fora para junto da multidão e para junto
da musica.
Num ápice esqueço que me dói a cabeça.
Quando de la saio, o meu destino, por certo, e' a cama e o descanso.
Mas não!
O meu destino foi outro. Ou melhor, foi alguém.
Um alguém que já la' esta' tanto tempo que quase parece que sempre
existiu.

E assim foi.
E assim fui.

Fui ao encontro da serenidade.
Fui ao encontro da chave que abre a porta daquilo que sinto.
Fui ao encontro.

E assim foi.
E assim fui.

Fui ao encontro de algo que me e' familiar.
Fui ao encontro da voz.
Fui ao encontro da imagem.
Fui ao encontro do tacto.
Fui ao encontro do cheiro.
Fui ao encontro.

E assim foi.
E assim fui.

Fui e encontrei a chave que me abriu a porta daquilo que sinto,
um espaço intransponível que nem eu próprio tenho acesso.
Um espaço sem janelas e fechado de medo, cheio de tudo e ao
mesmo tempo cheio de nada.

Entrei e descobri.
Descobri aquilo que sinto.
Descobri a razão dos meus medos.
Descobri o que me atormenta.

Entrei e descobri.
Descobri que apesar das pessoas que me rodeiam admirarem-me
e verem em mim um caso de sucesso, eu olho-me ao espelho e
não me sinto realizado.
Descobri que apesar de me elogiarem e dizerem que sou bonito,
eu olho-me ao espelho e não me sinto amado.

Entrei e descobri.
Descobri que o cansaço e' uma desculpa.
Uma desculpa para explicar os momentos em que tudo me passa
pela cabeça ao mesmo tempo, sem qualquer organização, num
momento de descontrolo onde paro e fico a olhar o infinito.

E' o cansaço.
Uma desculpa para explicar os momentos em que numa mesa
agitada de gente e de diálogos eu fico imóvel, emitindo apenas
silencio.

E' o cansaço.
Uma desculpa para explicar os olhos tristes e uma cara cabisbaixa.

E' o cansaço.
Mas entrei e descobri que afinal la dentro não havia cansaço
nenhum mas sim um espaço vazio intransponível devido ao medo
de me magoar.
Um espaço onde a minha voz faz eco.
Sempre procurei a liberdade.
Desde as simples atitudes de sair de casa sem dizer o destino e as
horas a que voltava.
Desde o facto de entrar num mar frio de inverno e céu cinzento
com a praia deserta cheia de gaivotas e esperar pela onde perfeita.
Ou mesmo ganhar asas e voar daqui para fora em busca da
liberdade que sempre procurei.
Mas quando entrei, no fundo descobri que a verdade e' que quero
fugir do vazio.
Fugir da minha voz quando ecoa cá dentro.
Fugir ate ao fim do mundo da tristeza que sinto e esperar que esta
não me siga.

Fugir!
Apenas fugir!
Dizendo que vou em busca da liberdade quando na verdade quero
e' fugir da prisão.
Fico grato por ter entrado e descoberto tudo aquilo que a racionalidade
me proibiu de ver, lidando assim com a parte mais frágil de mim
sem ter medo disso.
De facto e' mesmo verdade que quando se ama não há espaço para
mais ninguém.
Fico grato por ter entrado e descoberto que no fundo a sala não
esta assim tão vazia e e' talvez por isso que ao longo destes anos
nunca consegui me apaixonar por ninguém.
Pode ser que esta fuga se transforme numa busca e me cure de ti,
para me apaixonar de novo e assim poder sentir
a voz,
a imagem,
o tacto,
o cheiro
e amar de novo.

E assim foi.
E assim fui.
Entrei e descobri.
Obrigado por existires.




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Miguelísmo

Pois e', la vai um bom tempo desde que aqui escrevi pela ultima vez. A verdade e' que quando se viaja pelo mundo e se faz dos hotéis 5 estrelas a nossa casa, o tempo passa depressa. Mas tudo bem, tendo em conta que desse lado não existe ninguém 'a espera seja do que for (a não ser o meu ''eu") não se poderá considerar uma parcela de tempo como uma espera. E mesmo que fosse uma espera (ao considerar o meu "eu" como um leitor), lamento informar que o meu "eu" estava ocupado com outras coisas que não este blog e como tal não estava a espera de nada.

E assim, antes mesmo de começar a escrever aquilo que tinha em mente, divaguei um pouco e defini o verbo "esperar" no contexto aqui explicado. Estes e outros devaneios ocorrem-me com alguma frequência e ao longo do tempo fui aprendendo a não verbaliza-los. E porque? Bom, pelo simples facto de que a maior parte das pessoas não percebem nada daquilo que digo e como tal poupo-me a tentativas de comunicação infrutíferas. Alem de que na maior parte das vezes sao divagações inúteis. Mas ao não comunicar verbalmente nessas ocasiões significa que nesses momentos estou em silencio.

Também existem outras vezes em que não me apetece fingir de pessoa sociável ao falar sobre o tempo ou as ultimas noticias e como tal prefiro o silencio a falar de coisas inúteis.

O silencio, de facto, ocupa grande parte do meu tempo mas isso não invalida que numa noite de copos com os amigos não fale pelos cotovelos de coisas inúteis. E' um misto, digamos.

Indo ao cerne da questão vou começar por falar de cães para chegar onde quero.

Quando temos um cão em casa damos amor e carinho, brincamos, lançamos a bola, levamo-lo a passear de carro, etc. Tudo isto faz parte do mesmo: afecto! Um cão, no entanto, primeiro precisa de exercício, depois de disciplina e no fim de afecto, por esta ordem! Contudo a maior parte das pessoas começa logo no fim com afecto! (Não vou agora aqui explicar o porque, apenas devo agradecer ao grande Cesar por me ter iluminado!)
E muitas vezes nem sequer e' a ordem que esta' errada pois muitos donos apenas e somente dão afecto, negligenciando o exercício e a disciplina. E porque será que isto acontece?

Há quem nos chame de seres sociais com necessidade de afecto. Pois eu mudo essa definição para "Miguelísmo". Isto porque quando damos uma festinha num cão não o fazemos directamente com o propósito de O fazer feliz mas sim com o propósito de NOS fazer felizes. Se a felicidade de um cão faz-nos felizes então o objectivo e' manter o cão feliz de forma a fazer-nos felizes também. Ora se um cão a ser espancado faz-nos felizes e preenche os nossos sentimentos então espancaremos todos os cães que forem precisos para alimentar essa nossa sede de equilíbrio mental.

Não quero avançar muito na psicologia do comportamento canino (existe muito que se lhe diga) ate' porque isto apenas serviu como ponte ao que quero explicar.

As relações entre Humanos e Cães podem ser transpostas para as relações apenas entre Humanos, sem tirar nem por.
Quando telefono aos amigos para irmos ao café, e' porque me apetece ir ao café conviver, não porque estou em casa aconchegado e feliz a pensar que os meus amigos talvez tenham necessidade de ir ao café socializar. O mesmo se passa com eles quando recebem o telefonema.
Quando tenho uma namorada e' porque gosto de estar na companhia dela, ao ir ao cinema, ao restaurante ou 'a praia, não porque ache que ela precisa da minha companhia e então decido fazer caridade.

Em relação 'a família e alguns amigos especiais o sentimento mantém-se. Mesmo quando damos a nossa vida por eles, fazemo-lo por nos. Não e' por um ente-querido falecer que choramos, porque ele como morto já não existe nem vai sentir a nossa falta. Choramos sim por a morte significar a ausência definitiva dessa pessoa na nossa vida, um vazio que jamais poderá ser preenchido e que só o tempo acalma.

Esta definição do Ser Humano como Miguelísmo aplica-se em tudo o que nos diz respeito. Seja aos mais egoístas, altruístas, sociais ou anti-sociais. A verdade e' que todos nos em diferentes momentos da nossa vida fomos um pouco dessas 4 definições!

O Miguelísmo abrange tudo isso e e' ai em que me insiro, tal como vocês todos!

Um Bem Haja!