Como poderemos então diferenciar-mo-nos uns dos outros? Uns diferenciam pretos de brancos e amarelos, outros diferenciam asiáticos de latinos e nórdicos enquanto outros aclamam que todas essas diferenças são apenas aparentes e que no fundo a essência de todo o ser humano, o gene, é igual em todos.
Vamos definir primeiro aqui alguns termos que depois serão úteis no nosso raciocínio.
Taxonomia:
É a forma pela qual classificamos e hierarquizamos as coisas, como por exemplo as espécies ou os reinos.
Genótipo:
O conjunto de genes de um individuo.
Fenótipo:
As características visíveis (estrutural, bioquímica, fisiológica, comportamental, etc) que um individuo apresenta e dependem de duas coisas - do seu Genótipo e do Meio envolvente.
Posto isto poderemos começar então a desenvolver o nosso tema.
Na Ciência em geral e no nosso caso na Biologia em específico nada é 100% certo, apenas sabe-se que existem teorias mais aceites que outras, o que não invalida a veracidade dessas mesmas teorias e a sua essência pode ser mesmo intocável!
Como em tempos disse Hubert Reeves: "You are literally made of stardust".
Todos nós e tudo aquilo que os nossos olhos vêm e não vêm é feito de poeira de estrelas! Desde um pedaço de rocha inerte e sem vida até ao Homo Sapiens. A origem é a mesma mas como se sabe o resultado da evolução é totalmente diferente, o como e o porquê não nos interessa discutir agora, interessa sim frisar que nem tudo o que tem a mesma origem é igual entre si!
E é devido a essas mesmas diferenças existirem que surgiu a Taxonomia. O intuito não é classificar os melhores ou os piores mas sim organizar tudo de uma forma lógica que traduza o trabalho desenvolvido pela Natureza.
Quase no final desta hierarquia Taxonómica existem as chamadas "espécies", que por sua vez também se dividem em sub-espécies se for caso disso. Esta sub-divisão nem sempre tem um fundamento em termos de genótipo mas na verdade baseia-se na maior parte das vezes no fenótipo da espécie. Uma espécie exposta a vários desafios oferecidos pelo meio envolvente vai desenvolver um determinado fenótipo de acordo com os genes que tem e de acordo com os desafios presenciados, logo a mesma espécie afastada geograficamente e presenciando meios diferentes vai concerteza desenvolver fenótipos diferentes que melhor se adequam ao meio respectivo.
Pode-se afirmar então que podemos dividir a espécie em sub-espécies apenas com base em fenótipos, pelo menos isso tem sido feito, excepto com o Homo Sapiens que hoje em dia é aceite como tendo apenas uma sub-espécie: Homo Sapiens Sapiens.
Aqui, infelizmente, fez-se tudo menos ciência!
De forma a evitar o racismo ou todo o tipo de questões morais que a classificação em diferentes sub-espécies pudesse criar, diz-se que existe apenas uma.
Classificá-las como diferentes traz às nossas mentes um sentido de injustiça, desigualdade e moralmente incorrecto.
Quanto à classificação em si deixo para biólogos e antropólogos corajosos o fazer. Pode ser que apareça um Darwin, bem que nos fazia falta.
Alguns estudos, publicados por exemplo na revista Science, afirmam que por vezes existe maior variação genética dentro de um grupo do que por vezes entre vários grupos, querendo com isto dizer que é inútil a diferenciação racial visto que geneticamente o mesmo grupo racial pode ser mais diferente entre si do que em comparação com outro grupo racial. O facto é que, por exemplo, existe uma maior diferenciação genética entre algumas sub-espécies de chimpanzés do que entre algumas sub-espécies de chimpanzés e os chimpanzés Bonobo, que pertencem a uma ESPÉCIE diferente! Portanto é um argumento inválido!
De notar que, de acordo com a publicação "Microsatellite genetic analysis of dog breeds (Zajc et al., Mamm. Genome 8, 182-185, 1997)", é feito um estudo entre algumas sub-espécies de cães chegando a um índice de 0.028 a 0.054 de diferença entre as sub-espécies.
Em comparação, foi feito um estudo idêntico no Homo Sapiens Sapiens "(Kimmel et al., Genetic 143, 549-555, 1996)", que demonstra que o índice de diferença entre os Chineses e os Japoneses é na ordem de 0.029 e que as maiores diferenciações andam na ordem de 0.087 a 0.363.
Se nós somos todos Homo Sapiens Sapiens então teremos que mudar toda a Taxonomia de forma a estar de acordo com isso!
A grande questão é outra: vale a pena mover o mundo para nos protegermos do sentido de igualdade e justiça que temos?
Eu penso que não, sempre encarei a verdade como o único caminho e como já disse em tempos nas questões religiosas, prefiro a crueldade de uma verdade do que o consolo de uma mentira.
Ámen!